domingo, 6 de junho de 2010

Função de jornalista ou de RP?

O dilema sobre quem deveria exercer a atividade de assessoria de imprensa é antigo. Muitos são os argumentos em defesa dos jornalistas ou dos Relações Públicas, mas um consenso final parece ainda longe de acontecer. Em primeiro lugar, é importante que se defina brevemente quais são as competências de cada um desses profissionais.

O Relações Públicas é responsável por mediar de forma estratégica a relação entre uma organização e seus diversos públicos, visando passar uma imagem positiva da empresa e conseguir a aceitação pública. Já o jornalista, procura informar os mais diferentes públicos sobre os assuntos que são de seus interesses. Eles vão buscar, apurar, redigir e publicar informações que devem se tornar conhecidas, de modo que o interesse público esteja sempre à frente dos interesses privados.

Podemos ver, portanto, que a principal diferença entre essas duas profissões é a quem cada uma delas beneficia: o Relações Públicas defende a organização em que trabalha, enquanto o jornalista visa atender sempre ao interesse público. Analisando também que a principal função da Assessoria de Imprensa é defender as instituições utilizando como ferramenta o poder de difusão da mídia pelos meios de comunicação, como podemos dizer que essa é uma tarefa de jornalista?

Voltando à entrevista concedida a nós, o presidente do Conrerp (Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas) 3ª região, Valdeci C. Ferreira, nos mostrou a sua opinião:



Havia sido promulgada a Lei Municipal 9.825/10, fazendo com que o diploma de Jornalismo seja obrigatório para o exercício da atividade de Assessoria de Imprensa. Isso tornava essa função privativa dos jornalistas sem nenhuma base legal, ferindo as principais regulamentações da profissão de Relações Públicas: a Lei Federal 5.377 e a Resolução Normativa Federal 43/02.

Pode-se observar que até mesmo os jornalistas que trabalham na grande imprensa vêem os que são assessores de imprensa com outros olhos. Em uma pesquisa intitulada “As assessorias na visão dos jornalistas”, divulgada no site “Comunique-se”, em abril de 2004, descobriu-se que os assessores não são vistos como parceiros pelos jornalistas que trabalham em redação, uma vez que eles se comprometem com os interesses dos seus clientes. De todos esses, somente 16,1% acreditam que as assessorias atuam como elo entre as empresas e a imprensa, mesmo que 85% dos 1261 dos jornalistas tenham dito que, para falar com um entrevistado, buscam a sua assessoria de imprensa.

Para João Alberto Ianhez, presidente do Conferp, “o ideal é que essa função seja exercida por pessoas neutras, que não possam ter influência nos veículos de imprensa a não ser pelo valor dos fatos, das informações que trazem e a importância das mesmas como notícias”. Ele defende que o jornalista que atuar na função de assessor de imprensa deve perder o direito de atuar em um órgão de imprensa enquanto continuar na outra atividade, assim como já ocorre em outros países. Nada mais ético do que isso.

Essa é realmente uma questão bastante pragmática. A discussão se prolongará ainda por muitos anos, mas esperamos que as atividades sejam mais bem definidas logo, de modo que nenhuma das partes saia prejudicada.

O que BH reserva para formados em RP

RELAES PBLICAS E LOBBY

Existem inúmeros autores que buscam entender e explicar as relações públicas. Investigam a natureza da profissão, bem como seus dilemas, funções mercadológicas e políticas, atuação perante a sociedade e diversas outras perspectivas. Na faculdade, gasta-se aulas e mais aulas com o tema, levanta-se uma série de questões a respeito da profissão, passando pelas atividades exercidas por um RP. Assim, nós estudantes, deveríamos saber exatamente as ações que vamos executar como profissionais da área. Temos até quais são tais atividades previstas no decreto n.º.283, de 26/9/1968, que regulamenta a profissão.

“Consideram-se atividades específicas de Relações Públicas as que dizem respeito:

a) à orientação de dirigentes de instituições públicas ou privadas na
formulação de políticas de Relações Públicas;

b) à promoção de maior integração da instituição na comunidade;

c) à informação e a orientação da opinião pública sobre os objetivos elevados de uma instituição;

d) ao assessoramento na solução de problemas institucionais que influem na posição da entidade perante a opinião pública.

e) ao planejamento e execução de campanhas de opinião pública;

f) à consultoria externa de Relações Públicas junto a dirigentes de instituições;

g) ao ensino de disciplinas específicas ou de técnicas de Relações Públicas.”

Mas como é realmente a realidade dos RP no mercado da capital mineira? Será que os graduados em relações públicas exercem realmente suas funções?Através dos resultados da pesquisa realizada por Frederico Fonseca Soares, executivo de Relações Públicas, juntamente à secretaria de pós-graduação da UNI-BH em 2007, temos um panorama que nos permite responder às questões anteriores.

Na pesquisa, dos 150 questionários virtuais enviados para pessoas graduadas na área e empresas com setor de comunicação, apenas 70 foram respondidos. Dentro das 70 respostas, temos que apenas 20% (14 pessoas) dos graduados trabalham de fato na área de comunicação social. Dessas 14 pessoas, 84% (10 pessoas) trabalha em um cargo competente a um RP. Simplificando, de 70 formados em RP, somente 10 trabalham efetivamente com relações públicas. Ainda, o restante dos graduados, ou seja, 80% deles não trabalham em áreas da comunicação social, mas como contatos comerciais, vendedores e propagandistas farmacêuticos, corretores de seguros, empresários de outras áreas, etc. Todos os entrevistados pontuaram que tentaram atuar sim como RP nas organizações em Belo Horizonte, mas muitos afirmam que na maioria dessas organizações não há realmente uma vaga específica para um profissional de relações públicas. Outro fator preocupante apontado é a falta de reconhecimento da população das atividades de relações públicas. A maioria desconhece ou possui uma visão muito superficial dessa área, o que contribui para desmotivar e aumentar a falta de reconhecimento dos profissionais de RP.

A pesquisa concretiza um medo latente para a maioria dos estudantes de qualquer curso, pra falar a verdade. Não é nada motivador ou agradável perceber um mercado de trabalho que não possibilite exercermos àquilo que estudamos, discutimos e polemizamos durante anos na faculdade. Mas não deixemos nossos ânimos tão abalados, os entrevistados pontuaram alguns aspectos em relação ao ingresso no mercado de trabalho. Para eles, os estudantes deveriam vivenciar uma experiência mais próxima do mercado e da rotina real dos RP. Ou seja, fazer um estágio na área, assistir a palestras dadas por profissionais atuantes no mercado, estudar cases reais, tudo isso seria uma forma de facilitar a entrada dos graduandos em relações públicas no mercado. Além da teoria, é essencial saber aplicá-la a prática, conhecendo o cotidiano da profissão. Talvez essa conclusão pareça óbvia, mas tomemos a opinião dos RP entrevistados como um incentivo para nos tornarmos profissionais mais capacitados.

Seguindo o espírito “calma, nem tudo está perdido” os resultados relacionados à satisfação com ambiente de trabalho, salário, status, cobranças e pressões internas surpreenderam de maneira positiva. Mesmo que grande parte não trabalhe com relações públicas, a maioria mostrou satisfação com o emprego que possuem.

Por fim, para não desistirmos completamente de relações públicas, temos ainda a nossa cidade como uma das sedes da copa. Muitas obras e ações serão necessárias, incluindo os serviços de comunicação social, o que carrega a promessa de tornar o horizonte da área e das relações públicas cada vez mais belo.

Trajetória das relações públicas no Brasil

RELAES PBLICAS E LOBBY

Antes de resumir a trajetória das relações públicas no país, seria bom explicar por que exatamente escrever sobre o tema. Para se entender o presente e, talvez prever tendências do futuro, é imprescindível que se conheça o passado. Da mesma forma, conhecer a trajetória das relações públicas no Brasil pode causar reflexões acerca da situação atual da profissão e talvez explicar o motivo de algumas coisas.

No começo do século XX, o Brasil passava por um período de desenvolvimento, atraindo indústrias estrangeiras. Um dessas indústrias era a companhia Light, responsável pelo marco inicial das relações públicas no Brasil com a criação de um departamento de RP, em 1914. A criação foi fruto de uma necessidade da empresa de cuidar do seu relacionamento com a imprensa e com opinião pública. O chefe de departamento da Light era ninguém menos do que o “patorno” da profissão, Eduardo Pinheiro Lobo.

Foi apenas na década de 50 que a profissão ganhou maior destaque, isso se deve ao novo contexto vivido pelo país. Pra começar, a democracia foi restituída em 1946, isso é fundamental, pois é difícil observar a profissão exercida com ética em um lugar onde há controle e manipulação da população, como se observa nos governos ditatoriais. Vale ressaltar também que o perfil desenvolvimentista do governo da época impulsionava a vinda empresas multinacionais para o país, o que fortaleceu a necessidade de se manter um setor de relações públicas. Além disso, o desenvolvimento de novos meios – mídia impressa e eletrônica- proporcionou a valorização da comunicação como um todo, o que também motivou estudos de audiência para conhecer os efeitos dos anúncios. Em 1952 foi fundada a primeira empresa de relações Públicas nacional, a Companhia Nacional de Relações Públicas e Propaganda e, dois anos depois, em 54, a ABRP – Associação Brasileira de Relações Públicas foi criada.

Nos anos 60, o governo brasileiro passou pela ditadura militar e na mesma década ocorreram vários fatos para as relações públicas. Como já foi mencionado anteriormente, uma ditadura representa certo risco para o exercício da profissão e, para se manter, ela acabou se associando à propaganda ideológica do Governo, com a Assessoria Especial de Relações Públicas (AERP). A atuação desta assessoria foi vista como agressiva e, visto que o Brasil vivia um momento turbulento, a imagem da AERP foi muito prejudicada. Esta época contribui para conformar uma impressão negativa das atividades de relações públicas, ligando-as a manipulação e formação da opinião pública. Ainda na década de 60, surgiram as primeiras faculdades de RP e, em 1967 a profissão foi regulamentada. Ela tornou-se uma atividade que só poderia ser exercida mediante o bacharelado em comunicação social com habilitação para relações públicas, gerando algumas discussões.

Mediante a regulamentação da profissão, proliferaram na década de 70 vários cursos e escolas de comunicação. Com isso, as primeiras obras brasileiras da área foram editadas, ainda que a maioria dos cursos criados se pautasse nas escolas tradicionais de jornalismo. Nessa década também foram criados o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de RP. Com o país ainda sob o regime militar, a AERP continuou atuando, juntamente das outras assessorias de relações públicas do governo federal: AIRP, ARP e Secom. Elas ainda estavam vinculadas a propaganda ideológica, consolidando ainda mais para a profissão de RP a mesma imagem negativa da década de 60.

Com os anos 80 vieram grandes transformações tanto para o país, como para as organizações e para a as relações públicas. Houve a abertura política e processo de redemocratização, possibilitando a volta da liberdade de imprensa, o que fez com que as pesquisas e produção científica na área da comunicação aumentassem. Nesta década também foi lançada uma campanha pela valorização dos profissionais de relações públicas.

Foi na década de 90 em que o fenômeno da globalização se iniciou, junto ao rápido desenvolvimento de novas tecnologias, principalmente nos meios de comunicação, conferindo importância a área, como não foi diferente no Brasil. No âmbito coorporativo e institucional, principalmente, a comunicação foi valorizada, o que incluía as funções de RP. Foi necessário repensar as relações públicas, inseridas nesta nova era, a profissão precisava ter seu papel redefinido perante a sociedade, sobretudo com o crescimento das outras áreas da comunicação. Para tanto, foi constituído um parlamento nacional, como iniciativa do Conselho Federal e Regionais (SP e PR) de RP, para revisar a regulamentação da profissão feita em 1967.

Até hoje várias discussões a cerca das relações públicas são levantadas. A questão da sua regulamentação, que foi feita prematuramente em 67, continua em pauta, principalmente após a queda do diploma de jornalismo. Com o aumento de empresas privadas, sabemos que as organizações precisam assumir mais do que nunca uma função social, as relações públicas ganham com isso uma dimensão política imensa e de extrema importância para a sociedade. Entretanto, sabemos que os profissionais de RP ainda lutam com a imagem de “manipulador” configurada durante o governo militar, e buscam o reconhecimento e valorização perante a população, que desconhece, como veremos em outros posts do blog, a profissão. Esses são apenas algumas das discussões que permeiam á área de RP e que tiveram gênese na própria trajetória da profissão no país. Fica evidente que as relações públicas estão ligadas ao contexto econômico, cultural e político em que estão situadas. O que será que esse mundo globalizado, com empresas em rede e cada vez mais possibilidades de conexão reserva para o futuro das relações públicas? Certamente podemos tentar identificar tendências, mas isso é tema para outro texto...

Referências:

KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Relações públicas e modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997

Kunsch, Margarida, História das Relações Públicas no Brasil: Retrospectiva e Aspectos Relevantes IDADE MÍDIA, 120 São Paulo, ano I, n. 2, nov/2002).

Regulamentação e fiscalização

Existem algumas informações que todo profissional de Relações Públicas que quiser ter seus direitos garantidos deve saber. Mas, além de nos preocuparmos com os nossos direitos, devemos ter em mente também os nossos deveres.

Em primeiro lugar, para uma pessoa se intitular RP e poder atuar na área, ela precisa ter concluído a faculdade em Comunicação Social e ser bacharel em Relações Públicas. Além disso, ela tem que ser registrada no conselho de classe, que é o conselho dos profissionais de RP da região em que ela exerce suas funções.

A profissão é regulamentada pela Lei Federal 5.377, que também dispõe sobre as condições profissionais e éticas. Essa regulamentação é considerada deficiente frente aos vários acontecimentos modernos, sobretudo os avanços tecnológicos, a nova era da informação e como se dão as relações humanas atualmente. A legislação em vigor não revela o dinamismo e a complexidade do mercado de hoje. Ela precisa ser atualizada para que mais atividades e profissionais possam ser incluídos de forma legal.

O Conselho é um órgão de fiscalização que serve à sociedade. Sua maior preocupação é protegê-la contra aqueles profissionais que não possuem condições éticas, nem técnicas para o exercício da atividade. Se não houver essa proteção, podemos ter pessoas totalmente desqualificadas atuando no mercado e isso é perigoso, pois o Relações Públicas lida com a opinião pública.

O que faz com que os profissionais tenham obrigatoriedade do registro no Conselho é atender a pelo menos uma das funções privativas de RP, dispostas na Resolução Normativa Federal 43/02. Se dentro das atividades que você fizer, estiver uma dessas funções, você é obrigado a ter o diploma e ser registrado. Segundo Valdeci C. Ferreira, presidente do Conrerp 3ª região, essa não é uma submissão somente ao Conselho, mas sim à lei, pois o Conselho também está submetido a ela.

O exercício ilegal da profissão é punido por autuação, multa e há a possibilidade de abertura de processo por falsidade ideológica, uma vez que a pessoa está afirmando ser algo que ela não é. A multa pode variar de 400 a 50 mil reais, dependendo da análise feita. O processo de fiscalização avança quando a empresa, ou o profissional que tem condição de se regulamentar não o faz. “O que nos interessa não é o dinheiro, que costuma chegar muito tempo depois, mas sim a regulamentação para fazer a profissão representativamente forte”, diz Valdeci Ferreira.

Então não se esqueçam: assim que pegar o diploma, tem que se registrar no Conselho para poder atuar!

Entrevista com Felipe Zulato

Felipe Zulato é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais, com habilitação em Relações Públicas. Sua atuação no mercado envolve trabalhos na área de Relações Públicas e Publicidade, como planejamento de comunicação organizacional, assessoria de imprensa, projetos relacionados às mídas sociais, entre outros.

Nossa equipe do blog conseguiu contactar Felipe e ele, com boa vontade, respondeu perguntas sobre sua carreira e sobre as Relações Públicas. Confiram a entrevista abaixo:


DR Pública: Qual é a sua situação atual no mercado de comunicação? Como é a sua atuação como profissional da área?
FZ: Estou empregado, trabalhando para a FSB PR Digital, braço da FSB Comunicações. Meu trabalho envolve análise das mídias sociais, planejamento de inserção de marcas na rede e execução das estratégias previstas. Acho que a formação de RP ajuda muito a entender o meio, que envolve relacionamento com diferentes tipos de público que precisam ser diagnosticados e serem "alvo" (não gosto desse termo) de uma comunicação dirigida. Por exemplo, o perfil do público no Twitter é completamente diferente do Orkut, que por sua vez também é diferente do Facebook e por aí vai. É importante conhecer os processos de comunicação e interação, bem semelhantes com mobilização. Afinal, as redes sociais são formadas por pessoas.

DR Pública: Quais são as qualidades de um profissional de Relações Públicas para você?
FZ: Tem que ser dinâmico. É importantissimo saber se planejar, mas que seja capaz de atuar no curto prazo também. O Relações Públicas é um profissional hibrido dentro de uma empresa, que pode atuar ao lado da administração, pensar no corpo produtivo, enfim, fazer o elo entre as diferentes áreas.

DR Pública: Você considera que essa é uma profissão pouco reconhecida no Brasil?
FZ: Sim, infelizmente sim. Muito mais pelo desconhecimento da profissão do que qualquer outra coisa. No mercado é um profissional relativamente valorizado, se compararmos com jornalista, publicitário ou radio/tv. Porém, da grande maioria da socidade, é uma profissão que está a margem do que poderia ser. Vejo isso como culpa até de nós mesmos, que não temos paciência de explicar ou ficamos intimidados com brincadeiras sobre a profissão. Muito pela mídia também, que acaba não dando o devido valor. Por exemplo, se tivesse uma novela onde o protagonista fosse um RP, a profissão ia bombar, todo mundo ia querer fazer. Por um lado, o fato de ser desconhecido "diminui" um pouco a concorrência no mercado. Vejo que tem poucas pessoas boas chegando no mercado com formação em RP.

DR Pública: Quais problemas e obstáculos você percebe que são enfrentados pelas Relações Públicas?
FZ: São vários. A classe não é muito organizada, com isso perde poder de barganha e influência sobre as organizações. São poucas as que percebem a importância de um RP à frente dos processos de comunicação, com influência direta sobre o Marketing. Somos muito chamados em casos de crise, mas isso não é o ideal. O certo seria planejar para prever tais situações e ter ações previamente definidas para esses casos. Isso está começando a mudar em alguma medida. Já vejo empresas contratando profissionais para relacionamento com comunidade, mas ainda é incipiente. Pra mim, grandes empresas tinham que ser obrigadas a ter uma agência de RP atendendo suas demandas ou profissionais dentro da empresa.

DR Pública: Para você, qual é o futuro das relações públicas? Quais são as novas tendências da área?
FZ: O futuro pode estar nas mídias sociais. Por ser um profissional dinâmico e que entende dos processos de comunicação como um todo, ele sabe perfeitamente como, quando, onde e porque atuar nas midias sociais, seja em momentos de crise, seja para planejar/executar ações ou para elaborar estrategias para agregar valor à imagem da empresa. É um profissional que sabe se adequar aos diferentes nichos e atua bem em todos eles. Ao mesmo tempo, entende da necessidade de retorno mercadologico e de mensurar resultados.

Toda brincadeira tem um fundo de verdade

Vários pesquisadores e estudiosos já procuraram traçar o perfil do profissional de Relações Públicas. Mas, convenhamos, o clichê já cansou – “deve ser pro-ativo, ter visão empreendedora, habilidade para lidar com crises” - e ainda há muitos estereótipos fixados. E, quando o assunto é fazer piada sobre isso, a internet não perdoa. Um dos destaques de sites humorísticos é a Desciclopédia.

A Desciclopédia é uma paródia da famosa Wikipedia: oferece conteúdo também de modo livre e colaborativo, mas os seus artigos são de alto teor satírico. As Relações Públicas não escaparam às brincadeiras, e de presente ganharam uma página inteira “explicando” como é a profissão.Contudo, nem todas as piadas representam absolutamente a realidade sobre essa área da comunicação.

Então, porque não discutir algumas das sátiras que a Desciclopédia fez sobre as Relações Públicas? Aqui vão alguns trechos para serem análisados.

“Relações Públicas é o setor responsável por contar as coxinhas na festa da sua empresa (...) Atualmente reconhecido como atendente ou recepcionista”

Não é novidade que o profissional de Relações Públicas é visto como aquele que fica “fazendo social” com empresários, gerentes, políticos e outros. Difícil é pensar que alguns estagiários ou pessoas já formadas realmente ficam “contando coxinha na festa da sua empresa”. Obviamente, isso não corresponde ao papel principal da profissão, nem mesmo ao que está previsto pelo decreto nº 63.283
Do Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (CONFERP). Se essa é a impressão que se têm sobre os atuantes na área, é porque a profissão não está sendo exercida plenamente como deveria ou não possui o reconhecimento necessário por parte da população.

“Geralmente aqui no Brasil os cidadãos ignorantes nem sequer sabem que RP's existem.”

Essa é uma dura verdade: Relações Públicas ainda é pouco reconhecida no Brasil. A profissão ainda é subaproveitada no país e a população não consegue definir, com facilidade, qual é o papel dessa atividade. Mesmo com esse problema, as Relações Públicas estão atuando razoavelmente bem no Brasil, e segundo uma pesquisa realizada em 2009 pelo CONFERP sobre o perfil dos profissionais de Relações Públicas, 80% destes estão ativos no mercado.

“Atualmente o RP é um dos 10 profissionais despontando no mercado contemporâneo. Perdendo apenas os estagiários de RP para os profissionais do mesmo setor.”

As Relações Públicas realmente se mostram promissoras. O Portal Terra divulgou uma matéria que aponta que atividades que trabalham como o relacionamento com o cliente estão sendo valorizadas como grandes diferenciais para as organizações. Jeffrey Sarlach, um profissional reconhecido em Relações Públicas, em uma entrevista para a revista Exame, demonstrou que a atividade aqui no Brasil tem boas perspectivas, por os brasileiros serem “muito sociáveis” e utilizarem com frequência redes sociais.

“Relações Públicas é o setor responsável(...) por tentar fazer a sua empresa ou organização parecer menos picareta, malvada ou incompetente.”

“Um bando de puxa-sacos”- Capitão Óbvio sobre Relações Públicas.

De acordo com James Grunig, um dos principais pesquisadores da área, Relações Públicas pode ser definida como “(...) a gestão da comunicação entre a organização e seus públicos”. Assim, é lógico pensar que o profissional de relações públicas busca projetar uma imagem positiva da instituição que representa. Mas essa tarefa nem sempre significa impor às pessoas a aparência de que a organização é “perfeita”, e sim mostrar transparência e habilidade para lidar com críticas e escândalos que possam aparecer. Se for o caso, a própria instituição pode desculpar-se ou mudar seu posicionamento, quando seus relacionamentos com seu público não estão sendo bem-sucedidos. “Puxar o saco” não é o melhor jeito de assessorar quem está sendo representado e pode causar sérios danos à reputação e às relações estabelecidas.

Não se sintam ofendidos, caros profissionais de Relações Públicas, e não se intimidem com algumas piadas. Se há críticas em torno da área, significa que é preciso um esforço para que a profissão desenvolva-se e tenha o reconhecimento e a valorização que merece. Não são algumas brincadeiras – com fundo de verdade - que vão impedir as Relações Públicas de ganhar maior espaço no Brasil e no mundo. Afinal, não faz parte dessa profissão lidar com posições negativas dos públicos?

Referência Bibliográfica: GRUNIG, James. Definição e posicionamento das relações públicas. In: GRUNIG, James; FERRARI, Maria Aparecida e FRANÇA, Fábio. Relações públicas: teoria, contexto e relacionamentos. São Caetano do Sul, SP: Difusão Editora, 2009.

sábado, 5 de junho de 2010

Relações Femininas


Em um blog de jovens mulheres discutindo relações (públicas) nada mais justo do que um post sobre o universo feminino no mercado de RP. Segundo James Grunig (um mestre dos estudos na área), uma das grandes tendências na prática de Relações Públicas é que esta passe a ser uma profissão exercida por uma maioria de mulheres.

Ao que parece, esta tendência já é realidade. Uma pesquisa do CONFERP (Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas), realizada no começo de 2009 sobre o perfil do RP, mostra que 80% dos profissionais da área são mulheres.

Não é de hoje que as mulheres estão aumentando sua participação no mundo dos negócios, mas a área de RP realmente parece ser um atrativo para elas. Será que as mulheres estão para RP assim como os homens estão nas Engenharias? Mais do que reforçar estereótipos, acredito que é apenas uma questão de perfil. A maioria das mulheres tem grande facilidade de lidar com pessoas e estabelecer relacionamentos. Clichês a parte, um bom RP também deve atender a estes quesitos, já que um dos grandes pilares do seu trabalho é a administração das relações entre uma organização e seus públicos. E se lidar com públicos muitas vezes é sinônimo de administrar conflitos, nada como a sensibilidade feminina nestes momentos.

Esta humilde teoria pode ser reforçada por uma pesquisa do Instituto ABERJE sobre a mulher na Comunicação Corporativa. Na ocasião, foram entrevistadas mulheres do setor de comunicação das maiores empresas do país. Para um terço das entrevistadas, a sensibilidade é a característica que mais ajuda na profissão, seguida pela habilidade de relacionamento, versatilidade e determinação.

Infelizmente, a grande participação das mulheres na comunicação empresarial não corresponde a cargos de diretoria. Segundo a mesma pesquisa da ABERJE, na maioria das empresas onde a área de comunicação possui uma diretoria, esta é ocupada por um homem. Os dados podem ser reflexos da tradicional exclusão das mulheres do mercado, que fica ainda mais clara nas funções gerenciais. Mas esta tradição deve ser revertida em pouco tempo, já que a mulher cresce cada vez mais profissionalmente, inclusive em posições de liderança.

A conclusão disso tudo não poderia ser mais óbvia: estamos no caminho certo! (:


Referência Bibliográfica: GRUNIG, James. Definição e posicionamento das relações públicas. In: GRUNIG, James; FERRARI, Maria Aparecida e FRANÇA, Fábio. Relações públicas: teoria, contexto e relacionamentos. São Caetano do Sul, SP: Difusão Editora, 2009.