domingo, 6 de junho de 2010

O que BH reserva para formados em RP

RELAES PBLICAS E LOBBY

Existem inúmeros autores que buscam entender e explicar as relações públicas. Investigam a natureza da profissão, bem como seus dilemas, funções mercadológicas e políticas, atuação perante a sociedade e diversas outras perspectivas. Na faculdade, gasta-se aulas e mais aulas com o tema, levanta-se uma série de questões a respeito da profissão, passando pelas atividades exercidas por um RP. Assim, nós estudantes, deveríamos saber exatamente as ações que vamos executar como profissionais da área. Temos até quais são tais atividades previstas no decreto n.º.283, de 26/9/1968, que regulamenta a profissão.

“Consideram-se atividades específicas de Relações Públicas as que dizem respeito:

a) à orientação de dirigentes de instituições públicas ou privadas na
formulação de políticas de Relações Públicas;

b) à promoção de maior integração da instituição na comunidade;

c) à informação e a orientação da opinião pública sobre os objetivos elevados de uma instituição;

d) ao assessoramento na solução de problemas institucionais que influem na posição da entidade perante a opinião pública.

e) ao planejamento e execução de campanhas de opinião pública;

f) à consultoria externa de Relações Públicas junto a dirigentes de instituições;

g) ao ensino de disciplinas específicas ou de técnicas de Relações Públicas.”

Mas como é realmente a realidade dos RP no mercado da capital mineira? Será que os graduados em relações públicas exercem realmente suas funções?Através dos resultados da pesquisa realizada por Frederico Fonseca Soares, executivo de Relações Públicas, juntamente à secretaria de pós-graduação da UNI-BH em 2007, temos um panorama que nos permite responder às questões anteriores.

Na pesquisa, dos 150 questionários virtuais enviados para pessoas graduadas na área e empresas com setor de comunicação, apenas 70 foram respondidos. Dentro das 70 respostas, temos que apenas 20% (14 pessoas) dos graduados trabalham de fato na área de comunicação social. Dessas 14 pessoas, 84% (10 pessoas) trabalha em um cargo competente a um RP. Simplificando, de 70 formados em RP, somente 10 trabalham efetivamente com relações públicas. Ainda, o restante dos graduados, ou seja, 80% deles não trabalham em áreas da comunicação social, mas como contatos comerciais, vendedores e propagandistas farmacêuticos, corretores de seguros, empresários de outras áreas, etc. Todos os entrevistados pontuaram que tentaram atuar sim como RP nas organizações em Belo Horizonte, mas muitos afirmam que na maioria dessas organizações não há realmente uma vaga específica para um profissional de relações públicas. Outro fator preocupante apontado é a falta de reconhecimento da população das atividades de relações públicas. A maioria desconhece ou possui uma visão muito superficial dessa área, o que contribui para desmotivar e aumentar a falta de reconhecimento dos profissionais de RP.

A pesquisa concretiza um medo latente para a maioria dos estudantes de qualquer curso, pra falar a verdade. Não é nada motivador ou agradável perceber um mercado de trabalho que não possibilite exercermos àquilo que estudamos, discutimos e polemizamos durante anos na faculdade. Mas não deixemos nossos ânimos tão abalados, os entrevistados pontuaram alguns aspectos em relação ao ingresso no mercado de trabalho. Para eles, os estudantes deveriam vivenciar uma experiência mais próxima do mercado e da rotina real dos RP. Ou seja, fazer um estágio na área, assistir a palestras dadas por profissionais atuantes no mercado, estudar cases reais, tudo isso seria uma forma de facilitar a entrada dos graduandos em relações públicas no mercado. Além da teoria, é essencial saber aplicá-la a prática, conhecendo o cotidiano da profissão. Talvez essa conclusão pareça óbvia, mas tomemos a opinião dos RP entrevistados como um incentivo para nos tornarmos profissionais mais capacitados.

Seguindo o espírito “calma, nem tudo está perdido” os resultados relacionados à satisfação com ambiente de trabalho, salário, status, cobranças e pressões internas surpreenderam de maneira positiva. Mesmo que grande parte não trabalhe com relações públicas, a maioria mostrou satisfação com o emprego que possuem.

Por fim, para não desistirmos completamente de relações públicas, temos ainda a nossa cidade como uma das sedes da copa. Muitas obras e ações serão necessárias, incluindo os serviços de comunicação social, o que carrega a promessa de tornar o horizonte da área e das relações públicas cada vez mais belo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário